Papa Francisco aceita resignação de bispo de Viseu por motivos de saúde

D. Ilídio Leandro disse ao Papa que gostaria de continuar a servir a diocese, na qualidade de pároco, enquanto puder.

D. Ilídio Leandro renuncia ao cargo invocando motivos de saúde. Foto: DR

O Papa Francisco aceitou esta quarta-feira a resignação do bispo de Viseu, por motivos de saúde.

Após ter sido sido submetido a uma cirurgia à tiróide no final do mês de Julho D. Ilídio Leandro renovou o pedido de resignação que já tinha feito anteriormente.

Em declarações exclusivas à Renascença, D. Ilídio explica que o seu estado de saúde começou a agravar-se há sete anos quando sofreu um AVC, “que foi sendo progressivo nas consequências”.

“Dado o meu estado de saúde pedi a resignação há três anos. Não foi aceite na altura, mas agora renovei, porque sobretudo a nível de memória e de capacidades que são necessárias para conduzir a diocese, sinto-me com grandes dificuldades para levar a cabo a minha missão.”

O bispo espera vir a ser substituído até Junho de 2018, o mais tardar, mas gostaria que fosse mais cedo. “Por isso pedi a resignação, que agora foi aceite, e estou à espera que o processo da minha substituição vá até ao fim para, brevemente, assim espero, seja indicado o meu sucessor. É possível que seja até ao fim do ano pastoral, isto é, em Junho, O meu desejo é que fosse até ao final do ano civil, porque sinto que a diocese ganharia com a minha substituição mais breve.”

O pedido de resignação foi aceite mas o Bispo de Viseu garante que vai continuar a estar ligado de forma profunda a diocese. “Enquanto Deus quiser continuo, e continuo para ser uma ajuda. Por isso ao Papa disse que gostaria de continuar como pároco, deixando de ser o bispo da diocese. Quero continuar a servir a Igreja e a sociedade enquanto puder”.

Apesar de o bispo de Viseu garantir que já recebeu o consentimento de Roma, esta quarta-feira o boletim diário da Santa Sé não inclui qualquer referência à sua resignação.

D. Ilídio Leandro tem 66 anos e foi ordenado Bispo a 23 de Julho de 2006, dia em que tomou posse da Diocese de Viseu. A idade normal para resignação de um bispo é 75 anos, mas abrem-se excepções por motivos de saúde ou outros.

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INTERNAMENTO URGENTE EM HOSPITAIS PRIVADOS

LEI NÃO DIVULGADA PORQUE NÃO INTERESSA QUE O POVO SAIBA.
É importante conhecer esta lei «quase» secreta.
Uma pessoa, na semana passada, foi internada no Hospital CUF e não levava cheques; a filha viu-se aflita para resolver o problema.
E o Hospital da Luz exigiu 2000 euro a uma pessoa para ser internada de urgência!
SAÚDE:
Lei Sobre o Depósito de Valores nas Clínicas Privadas antes do Internamento.

DIÁRIO DA REPÚBLICA em 09/01/2002, a Lei nº 3359 de 07/01/2002, dispõe:
Art.1° – Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internamento de doentes em situação de urgência e
emergência, em hospitais da rede privada.
Art 2° – Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado, ao responsável pelo
internamento.
Art 3° – Ficam os hospitais da rede privada obrigados a dar possibilidade de acesso aos utentes e a afixarem em local visível a presente lei.
Art 4° – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Não deixe de reenviar aos seus amigos.
Uma lei como esta, ainda do governo de António Guterres, que deveria ser divulgada, está praticamente escondida da população!
E isso já acontece desde 2002!

Morreu um amigo

Carta aberta a D. António, bispo do Porto.
 

Caro D. António, percorro as nossas memórias e pela primeira vez deixas-me mal. Dizemos que és um homem bom. É verdade. Pura verdade. Mas é pouco. Entre pensamentos comovidos, surgiu-me um que me rasgou o sorriso e que faz justiça à tua bondade e ao teu modo de ser pastor. O Papa Francisco diz-nos que quer que sejamos pastores com odor a ovelhas. Pois deixa-me dizer-te: da próxima vez que estiver com o Papa Francisco dir-lhe-ei que conheci um bispo que deixou as ovelhas com odor a pastor.

Procuro luz e consolação na Palavra de Deus e ocorre-me aquela passagem do Evangelho segundo S. João em que Maria unge os pés do nosso Senhor com nardo puro e a casa encheu-se com a fragrância do perfume. Encontro amigos, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e personalidades da nossa sociedade, e quando falamos de ti lá está a fragrância desse perfume que a tua morte libertou. Confirmam-se as palavras do Mestre: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”. ( Jo 12, 23).

A tua passagem pela Arquidiocese deixou marcas indeléveis e profundas no coração dos fiéis. A tua inteligência lúcida e conselho amigo e competente foram sempre uma ajuda inestimável no meu exercício como pastor. Os sacerdotes recordam-te com carinho e profundo sentimento de gratidão. A tua memória prodigiosa e cheia de afecto não conhecia limites a mais um nome, um aniversário, uma história. O teu sorriso abriu corações, mitigou conflitos, encurtou distâncias. O teu olhar penetrante e límpido espelhava o coração de um homem inteiro. A tua morte aumentou a saudade que já sentíamos. Olhando para a tua inteligência, considero-te um homem com senso profundo das coisas; olhando para o teu coração, recordar-te-ei como pastor de consensos onde o amor unia numa cumplicidade que o tempo não conseguirá destruir.

D. António, desde Segunda-feira que procuro um modo da Arquidiocese dizer obrigado pelo tanto que nos deste. Até que li a tua última homilia e encontro a homenagem perfeita, dar corpo ao teu sonho: “construir uma Igreja bela, como uma casa de família”. Recordando-te, prosseguiremos na responsabilidade de dar beleza à Arquidiocese através de um envolvimento de todos, particularmente dos mais frágeis, no amor infinito de Deus. A casa do Pai, onde agora moras, é a mesma casa onde ainda trabalharemos por um Reino de fraternidade e justiça.

Até ao dia do nosso encontro.

D. António, obrigado por tudo.

D. Jorge Ortiga,
Arcebispo Primaz

Vai fazer-nos muita falta, D. António!

ANTÓNIO FRANCISCO DOS SANTOS


António Francisco dos Santos (1948-2017) – In memoriam

  1. António Francisco em Fátima, em 2015 (foto António Marujo)

Era um homem, um padre e um bispo com uma visão rara, que colocava as pessoas, cada pessoa, no centro da acção da Igreja – e da sua própria. D. António Francisco dos Santos, padre da diocese de Lamego, onde nasceu, era bispo do Porto desde 2014. Tinha sido bispo de Aveiro entre 2006 e 2014 e bispo auxiliar de Braga de 2004 a 2006. Morreu esta manhã, na casa episcopal do Porto. Vai fazer-nos muita falta. Pelo seu carácter, pela sua proximidade com as pessoas, pela sua visão pastoral.

  1. António Francisco completou 69 anos no passado dia 29 de Agosto. Acabara de estar em Fátima, sábado passado, presidindo à peregrinação diocesana ao santuário. Na sua homilia, disse que os cristãos devem ser capazes de “construir uma Igreja bela, como uma casa de família” e que seja capaz de atender sobretudo aos mais frágeis: “Não podemos viver distantes dos dramas humanos nem ficar insensíveis aos seus clamores e indiferentes aos seus sofrimentos”, declarou, convidando os diocesanos a “entrarem na vida concreta dos que sofrem” (a homilia pode ser lida aqui na íntegra).

A sua visão e acção pastoral tinham uma perspectiva muito coincidente com a do Papa Francisco: centrada na misericórdia, na atenção a cada pessoa, na proximidade quotidiana com todos – clero, fiéis, não-crentes, na dedicação aos mais pobres e a quem mais sofre. Isso mesmo é recordado por várias pessoas, de diferentes âmbitos, no perfil que se pode ler no Público.

Nessa perspectiva, D. António Francisco apoiou com vigor intenso as muitas iniciativas pastorais de padres e leigos que, na diocese de Aveiro, faziam um caminho de busca de novas soluções para a integração eclesial dos divorciados que tinham voltado a casar, também na linha (mas já antes) do que o Papa Francisco tem proposto.

A propósito dessa realidade, e numa entrevista que lhe fiz, em 2015, para a revista espanhola Vida Nueva, dizia D. António: “Diante da Igreja e na Igreja todas as pessoas têm nome, rosto, alma e coração. Muitas vezes, um coração partido, a sofrer, dorido, por muitas desventuras! Mas a Igreja tem de saber acolher e fazer um caminho em comum nesse sentido.”

Este modo de actuar não perspectivava, no entanto, apenas uma atitude passiva ou a imposição de decisões, mesmo que abertas. Ele entendia que os interessados deveriam também participar no processo de reflexão: “Temos também de saber reflectir com eles, não apenas acolher. Importa saber ouvir e decidir com os casais divorciados recasados os caminhos de cada um no empenhamento concreto na vida da Igreja. Mesmo com aqueles que estejam em situações de ruptura ou de não aceitação das orientações da Igreja, sabemos que nunca podem ser marginalizados e que podem sempre encontrar a Igreja aberta.”

Quando tomou posse do lugar de bispo do Porto, apontou ainda o combate à pobreza como horizonte da acção da Igreja. Na mesma entrevista, justificava: “Temos áreas muito marcadas pela fragilidade, pela pobreza, pela injustiça, pelo desemprego. Somos muitos e, por isso, maior é também o número dos que sofrem. Mais atento tem de estar o bispo e mais presente tem de estar a Igreja, junto de todos, com iniciativas próprias que eu desejo que sejam criativas e ousadas. E não podemos esperar, como dizia o Papa, pois quando alguém sofre não pode esperar para o dia seguinte.” E acrescentava, no que era uma crítica severa a muitas das coisas que se fazem, não apenas na Igreja: “Temos de dar lugar aos pobres e não apenas esmola.” No sábado, em Fátima, a participação de 50 pessoas sem-abrigo na peregrinação diocesana foi uma forma de concretizar em gesto as ideias que D. António Francisco defendia (ver aqui a sua última entrevista, dada em Fátima à agência Ecclesia).

  1. António sofreu muito com a saída de Aveiro e a sua nomeação para o Porto. Em Aveiro, houve quem tentasse evitar a saída, como na altura se noticiou no RELIGIONLINE. Na entrevista já citada, esse processo levava-o a admitir que “as Igrejas locais deviam ser chamadas a intervir na nomeação dos seus bispos”. Num caso como o que acabara de viver, acrescentava que, na “mudança de diocese apenas é ouvida a diocese para onde vai o bispo e não aquela de onde sai”.

No Porto, esperava-o uma grave crise financeira da diocese, que ele tentou enfrentar através de uma reorganização administrativa, para reduzir despesas e criar receitas, sempre com a preocupação da coresponsabilidade e de apelar à participação dos leigos nessas tarefas. O desgaste com essas questões, bem como com casos de conflito que ele tentou gerir com a paciência e bondade que lhe eram características (como em Canelas, Gaia), podem ter contribuído para a sua morte prematura. Porque o sorriso transparente que D. António tinha nunca o deixava, mesmo quando falava dos imensos problemas que tinha para resolver. Mas, sobretudo, um desfecho como este – que abre agora uma vaga muito difícil de preencher – deveria levar a Igreja a reflectir sobre processos de decisão e escolha que são feitos contra a vontade dos envolvidos.

Onde estava, então, este homem, que pouco aparecia nos grandes meios de comunicação para além das notícias de Natal e Páscoa? D. António Francisco primava pela discrição, por preferir os gestos pessoais a grandes acontecimentos. Além disso, era uma pessoa que privilegiava o diálogo franco em vez de qualquer encenação mais ou menos pública. Por isso, é unânime o sentimento de perda de tanta gente, mesmo de fora da Igreja.

Sejam-me permitidas ainda três curtas evocações pessoais, gestos que dizem muito sobre o modo de estar de António Francisco dos Santos.

Em 2006, recebi pela segunda vez um prémio europeu de jornalismo. D. António, então ainda bispo auxiliar de Braga, não me conhecia pessoalmente. Mas teve a amabilidade de me enviar um cartão a felicitar e a dizer-me que acompanhava o meu trabalho.

Quando o meu pai morreu, há quase cinco anos, enviei uma mensagem escrita a D. António Francisco, então ainda em Aveiro, sabendo que ele tinha estado com o meu pai várias vezes durante a sua doença. Dois segundos depois de a mensagem seguir, tocava o telefone: “Onde estão vocês?” Meia hora mais tarde, D. António estava junto de nós, rezando por alguém que ele conhecera apenas poucos anos antes.

Há meses, ele manifestou-me o desejo de conversar comigo sobre o plano que a Conferência Episcopal Portuguesa está a preparar para as comunicações sociais, pela consideração que ele tinha para com o meu trabalho. Falámos uma primeira vez, dei-lhe sobretudo ideias de coisas que se poderiam fazer (mais do que questões de organização) e ficou prometida uma segunda conversa, em que ele queria sobretudo falar de planos de revitalização dos meios de comunicação da diocese. Essa conversa ficou adiada.

Falaremos disso mais tarde, D. António! Porque, para já, o senhor vai fazer-nos muita falta.

A mais doce é essa, mãe

Uma garota segurava uma maçã em cada mão. A sua mãe entrou e pediu-lhe com uma voz doce e um belo sorriso:
– Querida, podes dar-me uma das tuas maçãs?
A menina levanta os olhos para a sua mãe durante alguns segundos, e morde subitamente uma das maçãs e logo em seguida a outra.
A mãe sente a sua cara ficar gelada e perde o sorriso. Ela tenta não mostrar a sua decepção, quando a sua filha lhe dá uma das maçãs mordidas.
Mas a pequena olha para a mãe com um sorriso de anjo e diz alegremente:
– A mais doce é essa, mãe!
Pouco importa quem és, que tenhas experiência, sejas competente ou sábio. Espera para fazer um ‪‎julgamento. Dá aos outros a oportunidade de se poderem explicar. Pensa nisso!

O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!

Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:
– Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero ter dois filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro.
O médico então perguntou:
– Muito bem! O que a senhora quer que eu faça?

A mulher respondeu:
– Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher:
– Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.

Ele então completou:
-Veja bem, minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços.
Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco.

A mulher apavorou-se e disse:
– Não, doutor! Que horror! Matar uma criança é crime.

– Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la.

O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há a menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no ventre materno.

O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!